"A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte"
Poética, Vinicius de Moraes
(VIDA
uma curvatura
metafísica de
anzol
o caminhar e o
fisgo
na suculência da carne
o fio que iça
arde
e não se rompe)
passo a
passo pelas
ruas
onde desfolhei
o feto
de minha infância
passo a
passo pelas
praças e
paro
onde se articula desejo tempo clausura?
pisar tesos os
pés
sobre a crença desta
terra
feito a fagulha
do deus
no olhar do Morto:
um verbo
uma brevidade
rua a rua
latidos estrondam
estradas
em que
deixei certezas
plumas frágeis de
flamingos
cartas sem respostas
acenos sem pupilas
Domingos
levo
apenas tempo e ponto
apenas tempo e ponto
vírgula e espaço
pegadas e traços
o que fica:
-houve
o que vai:
-uma chispa
e o que levo
comigo
faz existir o mistério
comigo
faz existir o mistério
-O meu tempo é SEMPRE
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