Dorme
no seio do sacrifício
teu corpo
de homem
moreno
como o cedro ancestral
de terras com horas
inexistentes
estirado
feito verso quilométrico
de palavras nunca
ditas
repousa
teu corpo teu cofre tuas alturas
aguardando
que tu voltes
dos teus mares tuas estradas
dos teus sonhos
fechados
os teus olhos no rosto
desenham
praia de segredos, areias
indesvendáveis
recolhe-se
pra longe, teu silêncio
onda que desmarca pegadas
e some
-não vês:
ainda que silencies
te darei voz estruturas metáforas
te darei significação
novas semióticas
e ainda que se distancie
o teu tu do meu eu
te traduzirei
em verso.
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