09/09/2014

Dorme
no seio do sacrifício
teu corpo
        de homem

moreno
como o cedro ancestral
de terras com horas
        inexistentes

estirado
feito verso quilométrico
de palavras nunca
        ditas

repousa
teu corpo teu cofre tuas alturas
aguardando
que tu voltes
dos teus mares tuas estradas
        dos teus sonhos

fechados
os teus olhos no rosto
desenham
praia de segredos, areias
        indesvendáveis

recolhe-se
pra longe, teu silêncio
onda que desmarca pegadas
        e some

-não vês:
ainda que silencies
te darei voz estruturas metáforas
te darei significação
novas semióticas
e ainda que se distancie
o teu tu do meu eu
te traduzirei
        em verso.


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