há um barulho de vento
lá fora riscando os vincos
agudos do metal
agitada, uma janela
range pronomes
assovios
vozes de homens
latem, ao
longe, cães
rangem alguns sons
quatro casas ao lado
a vagina acolhe o pênis
quatro casas ao lado
a angina engole homem
a voz que agora me canta
é do tom, tem menos som
que o grito de socorro da estuprada
quatro casas ao lado
-continuo cantando
logo ali, ali
o travesti
o corola preto
ainda com a cadeirinha
para o bebê.
veem, em Gaza
os corpos multilados
vejo também
mas só
o mundo vive la fora
de mim
não há quarto, não há peito
que não enrubesça
com a vida que escorre
fria, na sargeta
o mundo vive la fora
cá dentro, eu, um cigarro
e a ausência, um fantoche
sobre a cama profanada
vermelha
eu no quarto
húmus, gorfo, vísceras
inútil como um relógio
sem o ponteiro das horas
eu no quarto
e onde estará ele?
fumo outro cigarro
coisas a mais
o homem é um bixo
sumariamente
egoísta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário