02/07/2014

1.
havia, eu, pesado sobre o mundo,
os pés, como forma de existência;
a massa dos meus átomos
pressionada por um campo

gravitacional qualquervencendo, passo a passo,a racionalidade dos meus dias;
o sol, meus olhos, vê-lo onda
propagando-se alcova a dentro
(a dentro, córnea, cristalino, retina)
não antes da síntese na derme;
o Sol
havia, eu, despertado
junto a ele:
fótons
hormônios
contrações musculares profundas
e futuro: a Terra translou-se,
foi-se tempo
2.
dia desses, foquei olhos:
conjunto milimetricamente
perfeito
átomos, moléculas, organelas,
células, tecidos, órgão, sistemas;
O r g a n i s m o
vi além
um olho preto jorrando
um Grande Talvez de profundezas
feito aborto negro e fóssil
das entranhas da terra;
um vácuo
no tórax que me cabia eu,
também o mundo;
teus dois pés ansiosos
por calejar-se
no atrito de diferentes
matérias;
vi verter duns lábios teus
a água pura para diluir
os efluentes que corroem
as minhas veias
3.
desde então
o Sol: o hálito morno
de um deus que sussurra
inverdades pelo meu corpo
enquanto adormeço e desperto
na mesma lentidão
em que a neblina defuma a noite
estar sobre esse planeta,
ante toda insignificância
minha desta espécie,
justifica-se;
se, apenas sentir, for-me sina;
encontrei o motivo
e agora, fazer-te versos,
exercer a função a mim incumbida:
(quando o fóton alvo e plasmático
encontrou a luz no fim misterioso
do túnel que fomenta a vida)
- sentir, mas não senti-lo

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