13/08/2013

Poema encardido

Assim,
vazio sim
vazio o fim
e(s) vazio em mim
o fim de mim
ouvir de mim
o vir de mim
o fim

O rim
...para
O fim
...cala
O cora-
ção: bala!

Um tiro?
Um doce?
o fim...
de quem?
por mim...?
por quem?
de mim...?
dormir
- ... ... ...

O coração
baila
a música
...para
a vida
é cara
Minha cara?

Há vazio
avareza
a clave reza
o som
do céu
deposto
Qual rosto?

O desgosto
no rosto
o gosto
d’esgoto
n’esôfago
o resto
do corpo
deserto
detesto sou
eu
composto
quebra-
do e
dormente
a dor mente
à noite
a (à) noite
amante
a mente
e mente...

açoita
afoito
o coito
o vômito
atônito
há tom nisto?

Que merda
que medo
que erro
que queda
no chão
no vão
no ar
Gullar
meu cu?
Teu cu?
O gato

Pobre azul
era o gato
o rato era
o prato
azul meu cu?
Pobre meu cu!

imagina,
vagina
gengiva
gente viva
angina
o fim

Ah, Gullar
vá cagar
azul é teu curto
poema sujo
ardido
fedido

oras bola
 agora

Onde s’esconde
o cu azul do gato
era azul o cu
do gato azul.

Lado
só de lado
ladro
prum gato
azul feito o
meu feito o
teu feito como
teu cu
guloso
Gullar

Teu poema encardido
Teu verso destemido
Tua poesia nas entranhas
Tuas rimas estranhas
Agora não sei do que é feita minha carne
Se de verso o universo fez-me em átomos
Mas sei que sou o bicho fabricado por sua poesia.

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