20/07/2012

Soneto ao Dom Casmurro



Fragmento de Dom Casmurro, de Machado de Assis:

"Dita a palavra, apertou-me as mãos com as forças todas de um vasto agradecimento, despediu-se e saiu. Fiquei só com o
Panegírico, e o que as folhas dele me lembraram foi tal que merece um Capítulo ou mais. Antes, porém, e porque também eu tive o meu Panegírico, contarei a história de um soneto que nunca fiz: era no tempo do seminário, e o primeiro verso é o que ides ler:

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura! 
...

 Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as
demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dous versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe
uma idéia e encher o centro que falta. 


Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
...
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!..."


Aí está a minha versão:


Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura
Que na sombra orvalhada canta em pranto,
Derramai sobr’os céus a tua doçura
Perfumai o minuano com teu canto.

Traz a tua paz, que as terras de cá choram
Pois, o vento cessou e o Céu atalha
As preces que os pendões d’aurora cantam:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Soprai ao longe o inverno de minha terra
Onde brotou o pendão da rosa branca
E agora brota a flâmula da Guerra.

A voz dos poucos Justos desta terra,
Eis dos homens, o canto que agasalha:
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!


Gustavo de Castro.

2 comentários:

Unknown disse...

lindo, lindo

Jenny disse...

Gustavo eu lembro sim de vc. Deixei de postar no meu blog pq eu to sem pc, sem tempo de ir na lan house e por causa do estresse, pq minha vida ta muito corrida, eu to sem inspiracao. Agora to comecando a me organizar e em breve voltarei a escrever.

Seguidores