Fragmento de Dom Casmurro, de Machado de Assis:
"Dita a palavra, apertou-me as mãos com as forças todas de um vasto agradecimento, despediu-se e saiu. Fiquei só com o
"Dita a palavra, apertou-me as mãos com as forças todas de um vasto agradecimento, despediu-se e saiu. Fiquei só com o
Panegírico, e o que as folhas dele me lembraram foi tal que
merece um Capítulo ou mais. Antes, porém, e porque também eu tive o meu Panegírico, contarei a história de um soneto que
nunca fiz: era no tempo do seminário, e o primeiro verso é o que ides ler:
Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
...
Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura
Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as
odes e os dramas, e as
demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou
esses dous versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer
ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe
uma idéia e encher o centro que falta.
Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
...
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!..."
Aí está a minha versão:
Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura
Que na
sombra orvalhada canta em pranto,
Derramai
sobr’os céus a tua doçura
Perfumai o
minuano com teu canto.
Traz a tua
paz, que as terras de cá choram
Pois, o
vento cessou e o Céu atalha
As preces
que os pendões d’aurora cantam:
Perde-se a
vida, ganha-se a batalha!
Soprai ao
longe o inverno de minha terra
Onde brotou
o pendão da rosa branca
E agora
brota a flâmula da Guerra.
A voz dos
poucos Justos desta terra,
Eis dos
homens, o canto que agasalha:
Ganha-se a
vida, perde-se a batalha!
Gustavo de Castro.

2 comentários:
lindo, lindo
Gustavo eu lembro sim de vc. Deixei de postar no meu blog pq eu to sem pc, sem tempo de ir na lan house e por causa do estresse, pq minha vida ta muito corrida, eu to sem inspiracao. Agora to comecando a me organizar e em breve voltarei a escrever.
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