17/08/2012

Versos IV




Não há mais sangramento em minha alma
Pois deixei no passado minhas feridas...
Ainda as sinto doer como doeram
Mas é a consequência da lembrança.

É tão presente ainda como o instante:
Passado é o acaso de quem recorda,
E o ócio do desejo de quem vive
No ócio da lembrança que não volta.

Minha tristeza não é cronológica:
Ela é migração fátua de memória,
É prova da presença do passado:
 Anulação do que distingue o tempo.

A distinção do tempo é  fuga.
Passado: esta ilusão de esquecer
Presente: segurança do lembrar

Futuro: é lá que espera o desejo...


            Gustavo de Castro

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