29/06/2010

Carta de desfecho.




Às vezes como agora
Em horas e desespero
Entre angustia e a desordem
Sob o laço do passarinheiro
Desespero no meu susto
Agonio em minha mente
Pois a vida – que juro que vivo
É uma vida descontente.


Se na vida a morte é certa
Procurarei um homicídio
Pois assim, deixando a vida
Nem auguras e subsidio
Partirei covardemente
Sem presságios vacilantes
Deixarei os vermes, a vida da terra
Consumir meu cadáver errante.

E quando matéria nova me tornar
Quando de vida nada em mim restar
Chorarei minha vingança hedionda
Que matéria nova há de virar
E no canto de um pássaro
Ou no choro de um rio
Chorarei nos teus braços:
Oh bela natureza mãe gentil.
Se de tudo tenho a dor
Se do nada o nada tenho
Se eu tenho algum amor
A esse amor eu desdenho
Pois é o fim da odisséia
De uma vida fabulada
Será minha grande estréia
Na Terra da Vida findada.

Saberei que desta vida
Quando a morte eu for beijar
Que de nada eu adiei,
Pois para viver lhes asseguro:
A morte foi o único conforto que encontrei.

Gustavo Boss

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