22/09/2013

Alterus Humanus

Os homens gravitam no vácuo
Entre o sonho e a sina
Suplantando o deslize
De ter-se aceitado eternamente
Humano.

O cão tritura o osso
Sob o céu desumano
Ludibriando o estômago
Convexo de fome.

A planta acolhe
Banhada de lua
O grilhão biogênico
Que a aferrolha à planície

O mosquito suga
O sangue fluorescente
Que corre nos canos
Da criança transgênica

Antônio penetra Maria
Carinhosamente animal
Com seu encéfalo-pênis
Que pulsa e a explora.

Maria pensa na filha
Enquanto é invadida
Por um membro indecoroso
Ardendo em febre.

A terra, no espaço
Circula o sol
Enquanto organismos
Nos olham de longe.

Eu estirado no quarto:
Viver
 é inexistir.

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