Habito tanto
fora, que não existo cá,
Onde me ser
é estar além de mim
E existir é ser
fora do que sou.
Esqueço que
existo sem saudade
E a sina
humana se desdobra
Ao esperar
por algo vivido
Que viva
além do que me foi.
Revivo morto
o que já esteve, e
Digo que
nada me fez vivo
Que hoje me traga
saudade.
Saudade de
sê-los de novo
E não de tentá-los
ser.
Eu nunca os fui
E isso decerto
é fracasso.
Afirmo que
um dia eu já me fui!
Posso que
recordo quando o era
E não sei se
aquilo me era ser.
De qualquer
forma era mais eu
Do que sou no
instante de já.
Nesse sou um
mosaico.
Dos grandes.
Me veem como
não sendo.
Devo ser
colcha de retalho
Diante dos
olhos que me olham
Martirizados
e enxergam meu vazio
Que para mim
não possui brechas.
O passado
não volta.
Agora rimo bolas de basquete
Com notas de
trompete
Porque assim
não foram
E assim não
pude sê-los.
Dois sonhos
de crianças
Que ainda são
sonhos de criança.
Tão meus.
Eu invento
tanto
Que não seja
mentira
Porque se
não vivi, queria ter.
E isso é a
maior verdade que existe em mim.
Eu grito-me
diante de tudo.
É calar,
gritar em Gustavês
As
semânticas são antônimas
E a sintaxe
eles fingem que sabem
Quando me
riem - eu sei –
Desgraçados
às costas de mim!
Mal posso eu
viver o que criei.
Roubei um
sonho e cuido dele
Como se
fosse o único meu
E desde
sempre ao escrever
Eu nem sabia
que o tornava possível.
Roubei um
sonho, mas não sabem
Porque o
guardo como meu.
Existir é o
que sou aqui,
Viver eu já
meu fui lá,
Sonhar é
além de mim.
No fundo eu
só quero ser
O que sempre
quis ser
Mesmo
querendo algo
Que nunca
foi meu.
[e isso
finjo não saber]
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