27/09/2012
Sorria de verdade
Não há. Concluo desta forma as especulações sobre felicidade. Sei dos sorrisos, mas são breves. Fujo aos clichês; este, entretanto, desempenhando sua função de o ser, vem-me logo à mente: o que há são momentos felizes. Posso concordá-lo com o que me está afetando o pensamento, sem prejuízo. O mundo exige um sorriso que nem sempre posso dar. Falo de mim, pois há quem consiga sorrir somente com os lábios e a isto eu me julgo de certa forma incapaz, por não saber a forma mecanizada de o fazer. Além da fisiologia deste ato, há algo imaterial que de certa forma catalisa o sorriso - pense-o como motivo. É onde encontro o problema: sou seletivo. Foi-se-me há muito, o tempo em que mecanizavam-me o sorriso. Involuntariamente eu seleciono meus motivos, sendo assim, o que me põe um riso nos lábios não é a ocasião, e sim o que ela causa em mim. É ser imoral consigo mesmo tentar dia após dia se afirmar na sociedade como um indivíduo feliz. É a ditadura sobre a qual estamos submetidos: estar feliz. O mundo nos cobra esse estado de espírito, crescemos aprendendo sobre a busca da felicidade e é por tal que nos frustramos. Reafirmo: o que há são momentos felizes. E logo descarta-se-lhes a possibilidade do inverso, posto que o que buscamos é ela, a desejada felicidade, sendo assim, buscamos a alteração do nosso estado atual, ou a estabilização dele. Então, só posso concluir que a completude deste estado tão desejado é inalcançável, que a verdadeira felicidade está na liberdade que se pode extrair da vida; feliz é quem pode ser o que é e quem pode ser como quer. Há algum tempo eu era triste, e sabia o motivo. Hoje ainda o sou e sei de no mínimo outros dez motivos, tão imperativos quanto os de outrora. Então eu desisti, e aconselho-te que o faça também. Desista de ser feliz; busque alegria, busque bem-estar, mas esta, a felicidade no sentido amplo da palavra, não há no mundo real. Ser feliz é poder estar alegre ou triste quando se precisa estar, mesmo quando o mundo lhe cobrar um sorriso.
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