01/02/2011

Desabafo... Fragmento do meu diário, do dia 31-01-11, segunda-feira.



"Podias ter me dito que ias sair da minha vida. Amar é sumamente isto: cruzar um precipício sobre um arame, entretanto, posto que possas não chegar ao outro lado. Podias, assim, ter-me avisado que conjugarias o verbo desistir. Mas sou somente eu, com meus passos, que deixo para traz as pegadas no caminho e nem sempre minhas direções foram corretas. Puderas então, certamente, ter-me deixado por mim, e assim foi. Fiz-me a vítima do meu erro, e paguei com minha felicidade por isso. Amar é muitas vezes esconder segredos de si mesmo. E eu falhei; como um engenheiro que projeta o mais audacioso edifício e logo mais, o vê desmoronar sobre si. Agora não há mais tempo. Só há um tempo na vida para cada coisa, pode-se ter a mesma coisa inúmeras vezes, mas jamais no mesmo tempo. Por tal, todos perderam: você e eu.  Eu perdi a chance de ser feliz, e não afirmo que seria ao seu lado. E você perdeu o tempo em que me escutava. Foram apenas meses de nada concreto, de apenas ilusões minhas talvez, mas quando se ama, um segundo perdido, é uma eternidade nunca outra vez recuperada. Tu viveste cada coisa no seu tempo, cada sentimento na circunstância apropriada. Eu vivi apenas o amor, e nas piores horas possíveis. Como pude fazer-me perder, algo que se quer, havia me pertencido? Agora dou de cara com a realidade, pois antes, consolava-me a ilusão de lhe ter, que era preferível a sofrer por sua ausência. Agora levastes consigo minha vida, meus sonhos, meus sorrisos e minhas ilusões. Só me resta o fato que eu e você, jamais seremos um. E por tantas lágrimas que chorei, por tantos dias que sofri e pela vida que perdi, eu te digo: choraria, sofreria e morreria inúmeras vezes mais, da maneira exata que foi, porque da maneira que poderia ter sido, jamais saberemos. Eis o mistério que cercará nossas vidas, o qual nenhum de nós poderá desvendar"

2 comentários:

Jenny disse...

Tem selos para você no meu blog
adorei o post, espero que um dia eu possa escrever tão bem quanto você.

Gustavo de Castro disse...

Que isso querida, não há escrita melhor ou pior. O seu verdadeiro valor está no que ela expressa e não no que demonstra esteticamente!

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