20/09/2010

Não sei do que se trata, apenas foi escrito.

Você me causa isto.


Esta história começa onde ninguém jamais esteve, onde ninguém nunca pensou em estar, até porque lhes é clara a inatingibilidade do que menciono: o coração.
Ele é negro em seu interior, e ventos tempestuosos se chocam contra suas superfícies quase mortas.  O frio é intenso a ponto de congelar o próprio vento, que de tão forte resiste e se põem a uivar. E em órbitas, fragmentos de sentimentos e sorrisos destruídos giram e giram na eterna monotonia do eterno. Como numa estrutura atômica, você está no centro, como regente mor de toda essa tormenta desorganizada: o núcleo vital do desespero.  Ele te ama.
Algumas fagulhas clareiam, mas logo são vencidas pelo úmido e áspero vento. São esperanças, esperanças sem asas, que ora ameaçam transcender a toda uma fogueira caudalosa, mas que logo é apagada. Terremotos tornam ainda tudo mais desequilibrado, e a vastidão de partículas começa a chocarem-se entre si e apenas você não é atingido.
Quem o vê de fora, com seus espasmos, contraindo-se regularmente, mal sabe que são explosões. Não lhes é imaginável que suas contrações são para conter essa gigantesca quantidade de energia. Como se quisesse abafar um cogumelo atômico.
Assim é o coração daquele garoto, que deitado em sua cama, perdendo-se na vastidão do desespero, chorava. Aquele fóssil milenar, desenterrado de seu abrigo, estava desestruturando-se sob condições de novas pressões: logo ele seria apenas pó. E logo fui.

Gustavo Castro

Um comentário:

Faça e Venda - SOS disse...

"Você me causa isto"
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