01/08/2010

As faces da morte.



Eis que um verme zomba meu choro
Na triste carnificina da alma
E espera que eu entregue meu corpo
Para que seja devorado com calma


Em seus risos delirantes
Delirante anseia por mim
E goza a morte dos que já se foram
Aguardando mais este fim.


E um dia, no solo fundo
O Sulfídrico e a cadaverina
Emprestarão seu cheiro ao mundo
E alimento eu serei, aos vermes da vida extinta

E serei então, irreconhecível
Mau cheiro, larvas e podridão
Mais um corpo esquecido
Na mais fria e profunda solidão


Mas deixo às larvas, somente o abominável
O refugo fétido
Pois meu espírito é intocável
Deixo a elas os restos esqueléticos.

Voarei ao além-mundo sem aviso
Com meu mais belo terno
Será ao paraíso?
Ou ao distante inferno?


Serei agora toda a beleza
Flores, pássaros e solstícios
Na reciclagem da natureza
Com meus átomos reconstituídos.


Apenas meu coração insistente
Não há de se decompor
Pois é feito pedra, resistente
Calejado de tanto amor.


O coração que tanto amou
Será pedra na intensa terra
Oh, coração que tanto chorou
Continuará chorando pelas eras.



Gustavo Boss. 






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