19/07/2010

Um quase afogado.


Eu queria entender e se não o fosse possível, ao menos contentar-me com a ausência de repostas. Estou afogando-me, juro que estou. Cada vez mais sou arrastado por esse mar de questões revolto. Ele quer-me a todo custo, e sinto-me como que frágil para lutar. -  Talvez eu nem queira.
Ao passo que avanço, em cada braçada dada rumo à superfície, esbarro em novas questões, e sou forjado a parar, até que me reste apenas a resposta. O oxigênio está no fim, meus músculos estão cansados, e eu continuo nesse mundo escuro, abissal. As criaturas zombam de mim, há cinco mil anos regozijam-se com minha fraqueza. Eu, ora posso ver a luz, ora é toda a escuridão. Talvez seja a maré que oscila em alta e baixa; ou quem sabe eu, sendo zombado novamente. Trilobitas renascem do chão, e fitam-me em desdém. Eu vejo a vida, toda ela renascendo e caminhando a superfície: vejo coacervados, mitocôndrias englobadas: teria eu voltado a origem da vida?, ou apenas seria uma falha alucinação, reflexo de um desejo irrealizável? Escuto vozes que choram, ora em minha mente, ora ao meu redor; sei que escuto e isso é tudo! Estaria eu perdido tão profundamente nessa fossa abissal a ponto de escutar às vozes do inferno? Há um inferno em mim? Está tudo tão escuro e frio. Eu todo trêmulo...Preciso respirar e não consigo! Talvez uma forte tragada de água, um pulmão encharcado e o fim, o esperado fim...Tornar-me-ei vivo se atingir a superfície, depois de cinco mil anos submerso? Até quando suportarei a pressão?

Gustavo Boss

4 comentários:

J. Valentin disse...

Adorei o texto. Muito profundo, com muito sentimento! Parabéns.

Gustavo de Castro disse...

Obrigado querido!

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Você realmente arrasou *-*

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