07/07/2010
Um pouco de mim.
Luto contra mim. Luto contra minhas palavras. Elas vão surgindo automaticamente, e eu não sei como controlá-las. Já que querem sair, só me resta deixar, desde que não se percam na imensidão do ambiente, pois não são palavras, são ecos de minha alma. No momento em que escrevo, não atuo como, e nem me considero um escritor. Sou um domador de palavras. Elas saem de minha alma em forma de selvagens leões. O que me interessa não são os leões, eles são ferozes demais, não quero assustar ninguém. Por tanto capturo seus rugidos, apenas os rugidos, que são o lado imaterial do que eu digo e os materializo em forma de palavras. Tenho que ser rápido, caso não, eles seriam levados e se perderiam na vastidão desnuda do vento infante. Talvez o silêncio me preencha. Talvez? Não, ele realmente é o que me preenche. Agora que coloco para fora todo o ar do balão, me sinto assim: murcho, vazio, sem vida. Minha vitalidade está na minha reclusão, sinto como se perdesse parte de mim e realmente perdi. Botei no mundo os meus anseios e desesperos, espero que não obtenha vans conseqüências e que convertam meus erros em acertos. Quando era apenas eu e o mais íntimo de mim, não havia alternância em minha personalidade. Eu era consumido pela depressão, pela solidão. Apenas isso. E agora que torno palpáveis todos os gritos mais íntimos meus, há uma dissonância de personalidade: sinto-me livre apenas quando escrevo. E por tal, viciei-me neste ato. Escrever se resume em minha felicidade neste momento. Outrora eu era apenas escravo de minha solidão, sem a liberdade da escrita para atrapalhar, hoje que conheço maravilhosa e maldita sensação, me tornara escravo das palavras. Escrever dissolve-me o cérebro, me entristece. Espere! Eu não havia dito que escrever resumia-se em minha felicidade? E como posso me sentir triste com isso? Como algo pode causar felicidade e tristeza ao mesmo tempo em uma pessoa? Ah, deixe pra lá! O que sou eu? Primeiro arrume sua gaveta, depois se preocupe em me rotular! Não queira me entender! Não queira me mudar! O que sou e o que penso paira longe de qualquer entendimento. Acostume- se. Me entender é muito mais do que sua capacidade pode alcançar, está muito além do que podes compreender. Nem eu me entendo quem dirá alguém tentar me entender. Isso me parece até piada! Chegue de mim, eu me causo tédio!
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