Eu vi o futuro. Ele era pálido e sem vida. Eu não o quero, não o meu futuro. Leve ele com você, arquitete, desenhe, faça dele o que quiser. Eu nada posso fazer. Não tenho o controlo, e quem o tem? O passado, eu posso vê-lo. Vejo os sonhos que não realizei e as lágrimas que rolaram em vão. O passado já foi futuro um dia. – Nada mudou. Eu não o quero, não esse futuro. Ele chacoalha em minha mente, mostrando-me que por mais que eu organize os fatos, eles se sucederão de acordo com...eu realmente não sei. Eu temo a falta de controle; talvez por ser meu maior defeito. Sei que no porvir eu não saberei e o vejo palidamente, ofuscado por tons de azul. Há milhões de estrelas no meu futuro. A estrela que vejo hoje pode ter morrido há milhões de anos. Elas brilharão por reflexos ocorridos outrora? Então serão negras e frias e murchas. O meu destino é egoísta a ponto de beber às próprias lágrimas.
Eu desisti de viver, e para isso não é preciso a morte. Aos poucos estas linhas vão se tornando passado. E por isso que escrevo: é a única maneira de programar meu futuro; nisso há uma certeza: o que hoje é um A não será um B amanhã.

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