1.
Jaz só, no umbral de pedra
Do passeio público
O totem ressecado
Da natureza humana
Apontando infinito
Ao encontro dos ventos
Sem palmas para sentir
A força de um poente.
Jaz na cova cinzenta
O totem atemporal
Dos inversos da existência:
Berço e agora cova.
Desde além até além
Da curva espaço-tempo
Há umbrais e totens secos.
Desde além, mas nunca além...
2.
Jaz só, no umbral de pedra
Do coração dos homens
Umbrais iguais -às centenas,
Totens em putrefação
Arranhando-os por dentro.
Alcatraz imaginaria...
Na baía do destino,
Há um Ganges desaguando
Dentro de cada homem.
Há demasiado humano
No coração dos homens:
A chuva que cai dos céus
É apenas gotas d’água
Vertendo em condensação
Há demasiado humano
No coração dos homens:
O vento que afaga a pele
É apenas fluxo de gás
Em escala reduzida.
3.
Sobre o totem ressecado
Do passeio público
O incendiário esteve
Com fogo e palha seca
E um vórtice de chamas
De um inferno só nosso
Nasceu onde havia nada
E os átomos partiram
Em forma de fumaça
Ao encontro com o céu.
Deste totem ressacado
Nasceram flores e vento
Pássaros, homens e mares
Na solene valsa atômica.
4.
Jaz só, no umbral de pedra
Do coração dos homens
O totem ressecado
Da memória e amargura
Restos de gente e sonhos
Umbrais iguais, às centenas
Há incendiários passantes
Em trajes de poetas,
Em forma de por-do- sol
A tingir as brumas brancas
Também em chuva a chover...
Mas nada existe mais
Do que o demasiado humano
No coração dos homens
E assim se perderão as almas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário