Há em mim todos gritos
do mundo:
Dos Índios mutilados
na Colônia;
Dos Negros atirados ao
mar fundo,
Ecoando abafados na
Amazônia.
Há tantos gritos quais
foram gritados...
De plantas e animais,
gritos de homem...
Do seringal malárico e
ultrajado,
Do quinino deixando o abdômen.
Grito mais: pela sede
dos que a tem
Na África que só
existe em outras terras.
Suplico a vida frágil
do refém
Que morre pela pátria
nestas guerras.
Grito pela... Eu me
calo, eu não mais grito!
Pois não há nordeste
que me arranque
Palavra de defesa ao
nosso Sangue
Que não traz outra
raça nele escrito.
Não grito pelos gays, não
são opressos;
Não reclamo direitos
nem abrigo.
A mim já deram pão e
também circo.
Tenho o lema de “ordem
e progresso”.
Dou à pátria, silêncio
e toda paz!
Se há comprometimento
na política,
Não fundamento mais
nenhuma crítica
Ao bem que meu Governo
justo faz.
O grito deste jovem
não me espanta,
Também não o meu brado
junto ao dele.
É o que nos foi
implantado por aquele
Que diante do silêncio
nosso se encanta
O que há de tão
temível no protesto
Destes tantos que
hasteiam suas bandeiras,
Não é o risco heroico
das trincheiras
E nem o contra-ataque
ao manifesto.
O que me dá de nós um
nojo intenso
Não é nada do que já é
passado.
É a quem continuamos
tão calados,
Apoiando com o meu e
teu silêncio!
Gustavo de Castro
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