Corta-me, pois sou árvore na terra.
Estática, indefesa de teus golpes.
Corta-me, se assim tu queres fazer...
Não temerei o fim, pois foram grandes
As tormentas, que só, eu resisti.
Mas também foram mágicos meus dias
Sob o sol, derramado sobre mim,
Tingindo de amarelo minhas folhas.
Mas, peço-te que o faça de repente.
Que só o vil barulho, de quando eu
Tocar o chão, ressoe em meus ouvidos.
E a terra a me abraçar seja o único
Sentido do meu corpo nesta hora.
Porque eu também fui a solidão.
Porque eu também fui o vento forte.
Mas minhas raízes eram mais profundas.
Se tu queres, acaba-me então.
Faz o fim da semente que brotou.
Mas reparas comigo em teu machado:
-É de madeira o cabo que seguras.
Gustavo de Castro.

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