04/09/2011

Oaristo com o destino, ou, Fragmento do meu diário: 02/09/2011

Tu, destino, és um exímio escritor. Teu emaranhando de linhas, ao qual, ora achamos decifrar, ora temos a plena certeza de que tuas grafias são ilegíveis. Tu que diz caber a nós tuas decisões, engana-nos. Tua escrita à tinta, perene e inapagável, é ardilosa. Tens a capacidade de manipular, de vingar, e de mostrar-nos que, por mais que tentemos escolher nossos caminhos, tuas preferências, por toda a vida, falarão mais alto. Temo por quem ousa a desacreditar-te, assim como a mim, foi pertencida esta dúvida. Todavia, hoje, tu vens e salta-me à visão. Sinto-te em deleite, penso você como um pintor diante de tua própria obra, a admirá-la, idolatrá-la e reconhecer nela teu talento de “criar”. Acabamos por não perceber que, alguns fatos e escolhas são versos da fábula que tu estás a escrever. Desapercebemos detalhes e atitudes que o revelariam. Escolhas?, creio que esta palavra nunca existiu e não possui sentido próprio no meu mundo. Quaisquer que sejam elas, tua mão pesará. Assim como me fizeste de marionete, usaste-me e deixaste em cacos os meus sonhos, amores e sentimentos, está a usar pessoas para concluir tua nefária arte de criar. Tu usaste-me para concluir tua fábula, e agora te esqueceste de mim, abandonaste-me atrás de algum ponto final, perdido nas entrelinhas de tua história. Fizestes do meu fim, o início alheio.

Gustavo Castro.

2 comentários:

Jenny disse...

Também me sinto desta maneira. Visita meu blog, você nunca mais passou por lá. Beijos.

Gustavo de Castro disse...

Oiee, manda-me o link do teu blog... Beijos!

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