29/12/2010

Soneto do Auto-abandono


Na calada, em que finda a luz da aurora,
Um grito ecoa aos ventos - quem socorre?
Fatídico, o silêncio o apavora:
Ninguém ajuda o poeta que morre.

Passam sonhos que o velam; goza a morte...
O zombam as criaturas milenares:
Riem, ele perdeu, eras tão forte,
Desmoronaram todos seus altares...

-Meus sonhos estão mortos-, atordoado
Ele cantava em sofreguidão.
Por que o deixei? Frágil, amedrontado...?

Iminente sua morte se transcorre
Digo que não mereces compaixão!
Porque sou eu o poeta que morre.


Gustavo Castro.

3 comentários:

Unknown disse...

Simplesmente lindo, como sempre! *-*

Jenny disse...

Há um selo para você no meu blog.
Adorei o poema.

Gustavo de Castro disse...

Obrigado queridas! Valeu mesmo!

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